
“A luz pode se propagar no vácuo e sua velocidade é de 299.792.458 m/s”. Hoje sabemos disso, e sabemos também que essa é uma das constantes mais importantes da natureza. Mas nem sempre foi assim.
Influenciados pelas perturbações mecânicas das ondas, os físicos do sec. XIX achavam que havia uma analogia entre a onda luminosa e as ondas mecânicas, então criaram a teoria do éter, uma substancia tênue (algo pouco denso, praticamente sem massa) que ocuparia todo o espaço e que serviria como um meio de propagação da luz, ou seja, assim como as ondas mecânicas necessitam de um meio material para se propagar, acreditava-se que a luz também precisaria de um meio para sair do Sol e chegar à Terra, e essa substancia seria o éter.
Na segunda metade do sec. XIX, Maxwell, que era um ótimo matemático, deduziu matematicamente que a velocidade da luz era:
Onde é a permeabilidade magnética e é a permissividade eletrica. Isso quer dizer que a luz não necessita de um meio material para se propagar, ela depende apenas dessas duas constantes. Mas para Maxwell isso ainda era confuso, e a teoria do éter ainda era a mais aceita pela comunidade científica, apesar de muitas perguntas ficarem no ar.
Mas a teoria do éter não foi forte o bastante para resistir as constatações experimentais. Em 1887, Michelson e Morley fizeram uma experiência para determinar a velocidade da Terra em relação ao referencial do éter. Em sua experiência a velocidade da Terra dava 0, outros físicos repetiram a mesma experiência com aparatos mais avançados e obtiveram o mesmo resultado. Isso chamou a atenção da comunidade científica. Muitas teorias, algumas consideradas até absurdas, surgiram para tentar manter a existência do éter e aliar os resultados da experiência de Michelson-Morley (assim ficou conhecida).
E em 1905, Albert Einstein fez um ousado postulado, resolvendo esse problema de explicar a propagação da luz: “Se vários observadores estiverem se movendo, cada um com uma velocidade diferente, direções diferentes, e se cada um medir a velocidade da luz que sai de uma fonte. Todos eles obterão o mesmo valor”. Essa é a hipótese fundamental da teoria da relatividade de Einstein, onde elimina a existência de um éter, afirmando que a velocidade da luz é a mesma para todos os sistemas de referencias inerciais, ou seja, ela pode se propagar no vácuo.
Descobrir que a velocidade da luz é constante e não uma velocidade infinita (como previa a teoria de Galileu) trouxe uma revolução na física e na tecnologia (GPS, estudos de astros fora da nossa galáxia, etc.), mas ainda hoje existem cientistas dedicados a provar que o éter existe.


























